

Foi um período desgastante quando o nosso relacionamento acabou. Eu deitava na cama com um baque surdo e soluçava baixinho, lamúrias falhas que serviam para acalmar meu sofrimento. Eu fitava a parede, colocava meus braços ao redor das pernas e me ninava frequentemente. Não sentia alivio imediato, mas amenizava a dor que brotava do meu peito. Ainda tem mais. Encarar uma rotina me deixava conturbada. Não conseguia prestar atenção nas aulas e muito menos me concentrar em tudo que fazia. Apesar da gigantesca dor, permanecia em silêncio. Fechava-me de uma maneira tão discreta que ninguém chegou a perceber o quanto minhas olheiras aumentavam – corretivo é útil – e como a palidez do meu rosto tinha aumentado – maquiagem disfarça. Orava para que você voltasse a ser meu, pensava em te ligar todas as noites, mas a minha vergonha não permitia. Observava o modo como você apenas continuava alegre, de uma forma que parecia que eu nunca existi ou nunca fiz parte da sua vida. Aquilo me provocava uma raiva imensa. Castigava-me mentalmente, pensando: “fui eu que me entreguei e caí de cara no asfalto, fui eu que plantei amor sabendo que dificilmente colheria de volta.” Minha recuperação tardou, mas foi feita. Ainda passo várias horas por dia pensando nele. E ele? Aposto que em um minutinho qualquer ele reflete: “nossa, foi bom ter terminado com aquela garota problemática e esquisita.”
how about a nice big, FUCK YOU
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